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  • O que é o Projeto Ducerrado

    Olá. Meu nome é Waney Vasconcelos e sou o idealizador e responsável pelo Projeto Ducerrado.

    Nosso projeto está sediado no sítio Cafundó, o qual é uma parcela do assentamento Oziel Alves Pereira, município de Baliza, Goiás.

    Começou a ser implantado no ano de 2007 e tem por objetivo preservar a vegetação nativa do bioma cerrado local, fazendo uso sustentável de seus recursos vegetais, através de processamento primário dos frutos e demais materiais disponibilizados pelo bioma, para uso da unidade de conservação e comercialização.

    Preparamos, plantamos e distribuímos mudas das espécies nativas de interesse. Também procuramos, com nossos poucos recursos, divulgar nosso trabalho e a importância das espécies do cerrado.

    O projeto se sustenta através de recursos próprios das pessoas envolvidas, venda dos produtos derivados do cerrado, artesanato e de doações.

    Aqui desenvolvemos o NIM, Nativismo com Intervenção Mínima, sistema agronômico que visa produzir alimentos para utilização humana através das espécies nativas, notadamente carboidratos, óleos, fitoterápicos e proteínas, estudando, experimentando e multiplicando as espécies vegetais que contenham tais nutrientes e princípios, fazendo o mínimo uso de recursos que não sejam oriundos do bioma. É um sistema experimental, autoral e derivado dos sistemas agroflorestais, biodinâmicos e de permacultura, com vetor agroecológico.

    Este Blog é para publicarmos e compartilharmos nossos experimentos, conhecimentos e descobertas pela vivência com o cerrado. E também para divulgar o fato de que os recursos vegetais desse bioma são suficientes para a manutenção da vida humana, com qualidade, sem necessidade de substituir a vegetação nativ⁸a por outra exótica.

    Nosso foco e trabalho é com a vegetação. A fauna do bioma também é preservada e será divulgada, mas não prioritariamente, uma vez que nossa produção se pauta pelo vegetarianismo e veganismo.

    Nossos produtos principais são óleos, frutas desidratadas, ervas medicinais e artesanato com madeira e sementes. Podem ser encontrados e visualizados na página https://www.facebook.com/projetoducerrado/

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  • Marmelada de cachorro

    Tenho experiência, desde criança, com quatro tipos de marmelada do cerrado, todas da mesma grande família botânica: Rubiaceae. Da maior à menor: marmelada de bezerro, marmelada de cachorro, marmelada rasteira e marmelinho. Cada uma, obviamente, tem sua peculiaridade e identidade característica. Sendo que, em termos botânicos, três são  gênero Cordiera, ficando à maior, a de bezerro, o gênero Alibertia. Em termos de sabor, a Alibertia é mais ácida que duas Cordieras. Entretanto, a C. humile, que é a rasteira, se aproxima mais, quanto a sabor e acidez, à Alibertia. Falaremos sobre cada uma no seu devido tempo.

    Frutos verdes

    Temos feito experimentos com todas elas, aqui no sítio, no sentido de desidratar, fazer doces, vinhos, vinagres e mudas, além de coleta e distribuição de sementes e troca de saberes.

    Marmelada de cachorro

    Cordiera sessilis, a marmelada de cachorro,  ou marmelada preta, tem alto teor de açúcares, chegando a ser enjoativa por doce demais.

    Frutos verdes e frutos maduros

    Ao se passar a polpa da fruta por uma peneira, separando as pequenas sementes, é possível apurar, ao tacho, a massa e conseguir  um doce, marmelada, sem a utilização de açúcar. Já tivemos oportunidade de vivenciar isso aqui.

    Por terem açúcar em grande porcentagem de sua composição, sua fermentação resulta em álcool, vinho e vinagre. Aqui em casa, esmagamos as frutas, misturamos água e reservamos num pote hermético. Não acrescentamos fermento, os micro-organismos naturais se encarregam de transformar a mistura em vinho e, na sequência do processo bioquímico, em vinagre.

    Arbusto nativo do cerrado (de 1 a 3 m). É planta que muitas vezes forma touceira arbustiva ou com tronco curto, lenhoso, de coloração escura e textura rugosa. As folhas são opostas, simples e coriáceas (com textura rija) e facilmente identificada por ter entre os peciolos (haste ou suporte canaliculado de 6 a 12 mm de comprimento) uma estípula (tipo de folha modificada) pontiaguda. A lâmina foliar mede 10 a 16 cm de comprimento por 3 a 6 cm de largura. As flores são terminais (surgem na ponta dos ramos); as masculinas são agrupadas em 8 a 15 flores sésseis (sem pedicelo ou suporte) e as femininas são solitárias, de coloração esverdeada. Os frutos são bagas de coloração preta com 1,5 a 3,5 cm de diâmetro, tendo de 10 a 25 sementes, que tem formato achatado.

    Sementes de C. sessilis

    É planta dióica, ou seja, tem um representante do gênero feminino e outro do gênero masculino. Uma tem somente flores para polinizar a outra, que produz os frutos.

    É planta dióica

    Origem: nativa dos campos e cerrados de vegetação arbórea mais densa, ocorrendo com certa freqüência no norte do estado de São Paulo, no Brasil central e pré-amazônia dos estados de Tocantins, Piaui, Maranhão  e Pará.

    Relato de experiência com cultivo da espécie

    Por ser nativa daqui, as mudas que preparamos e plantamos se mostraram sem exigências maiores quanto à nutrição ou regularidade hídrica padrão. Sem maiores atenções, produzem dentro de três a quatro anos. Aquelas às quais foi dispensada maior atenção,  como esterco, adubo, mais água,  se desenvolveram e produziram mais rapidamente.

    Diferença da coloração de frutos verdes e de maduros

    As mudas foram preparadas a partir de sementes locais, em tubetes, sendo depois realocadas em saquinho próprio.

    https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=pfbid026C48C2dND3fF3oubNCgTozxJH4qfRiz6gds11sAS2imAqqyiXf2AfvP1s4xNYyiBl&id=100080663522773&sfnsn=wiwspmo&mibextid=RUbZ1f

    https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=http://repositorio.ufla.br/bitstream/1/9813/1/TESE_Desenvolvimento%252C%2520caracteriza%25C3%25A7%25C3%25A3o%2520e%2520atividade%2520antioxidante%2520de.pdf&ved=2ahUKEwiTq-HdwpX8AhVVppUCHel6DoAQFnoECAsQAQ&usg=AOvVaw0THrTQPKKmriFVaJbKjoSU

    https://www.researchgate.net/publication/277939300_APLICABILIDADE_TECNOLOGICA_DA_MARMELADA-DE-CACHORRO_Alibertia_sessilis_Schum

  • Poema

  • Sustentabilidade e projeto

    Parte I - Alimentos

    O Sítio Cafundó é campo de experimentos da abordagem NIM de produção agrícola e convivência com o meio.
    NIM, Nativismo com Intervenção Mínima , pretende que obtenhamos da terra e ambiente imediatos, os recursos materiais básicos da melhor qualidade possível, para a manutenção de uma unidade familiar em um sítio rural.

    Água, ar, sol, alimentos. Abrigo. Companhia. Necessidades básicas.

    Alimentos: seguimos princípios veganos

    Para a manutenção da vida humana, precisamos balancear, na alimentação : carboidratos, óleos, proteínas, vitaminas, etc.


    A proposta do Projeto é que nos direcionemos rumo à obtenção desses nutrientes na flora nativa, no caso do sítio experimental, sítio Cafundó, Baliza, Goiás, cerrado de solo arenoso e alta acidez.

    Carboidratos

    Jatobá (Hymenaea stigonocarpa) é uma importante fonte desse nutriente. A facilidade de colheita, transporte, armazenamento e processamento do fruto, toda essa praticidade e abundância da espécie no local, a torna campeã de produção no  sítio.


    Frutos como o Araticum, Anonna sp., e outros do Cerrado, principalmente quando desidratados, concentram diferentes tipos e níveis de açúcares e outros carboidratos necessários ao organismo humano.
    Das Intervenções Mínimas na obtenção de carboidrato produzido localmente e com o mínimo de adições ao solo, além da imprescindível água, testamos várias espécies e atualmente estamos no quinto ano de cultivo do plantel de sementes e mudas para generalização desses cultivos no meio do cerrado nativo, pois sua rusticidade tem se mostrado propícia a uma economia de recursos e manutenções posteriores. Como aqui o cerrado é fechado, nativo e ainda se estende, agora em 2022, aos sítios vizinhos, a fauna nativa também está aqui e muitos bichos simplesmente comem as plantinhas das tuas lavouras, quintais e hortas, se você deixar. Esses cultivares que selecionamos e estamos implantando até agora não tem sido apetitosos aos bichos e insetos do local, além de serem rústicos na manutenção e pós-colheita.

    Pretende-se obter outros carboidratos para a alimentação humana, com introdução de espécies exóticas no ambiente de cerrado: Araruta, Mangarito, inhames (Dioscorea sp.),


    Na parte produtiva do projeto, temos o espaço para secagem ao sol , secagem à sombra, bancadas e giraus para extração, processamento e embalagem das farinhas, féculas e polvilhos desses inhames, batatas ou rizomas.

    Claro que não poderia faltar a plantação de mandioca,  Manihot esculenta. O Projeto prevê a construção  de casa de farinha semi-automatizada para processamento das farinhas e féculas oriundas das espécies cultivadas aqui

    Proteínas

    Nossas atividades são orientadas pela visão vegana de convivência com os animais. Produtos vegetais oriundos do Cerrado com algum nível de proteínas aproveitáveis pelas pessoas em sua alimentação e usadas por nós aqui:
    Castanhas, amêndoas, cocos: babaçu, sapucaia do cerrado, baru (Dypterix alata), macaúba, guariroba, indaiá, coco babão ( Syagrus flexuosa, Mart.), amêndoa do caroço da mirindiba (Buchenavia tomentosa), sementes de paineira (Eriotheca gracilipes), castanha dos cajus nativos, chichá (Sterculia striata)


    Cogumelos comestíveis nativos, consumimos alguns, mas ainda falta devida identificação.
    Na fase atual, 2022, e de cinco anos pra cá, a maior parte das nossas necessidades de proteínas aqui em casa, são providas com Intervenção Mínima externa, exótica: Ora-pro-nobis (Pereskya aculeata e P. grandifolia) e Moringa oleifera.
    Prosseguem estudos para identificação de fontes de proteínas nos recursos vegetais nativos do bioma Cerrado.

    Óleos comestíveis

    Todas as amêndoas citadas anteriormente têm alto teor de óleos comestíveis, bastando se dar ao trabalho de recolher as drupas, abrí-las, esmagar as castanhas e extrair o precioso líquido.


    Ainda não citados, temos excelentes óleos comestíveis nos seguintes derivados do Cerrado: Buriti (Mauritia flexuosa), seu mesocarpo utilizado na culinária, é rico em óleo comestível e que usa-se, in natura, como protetor solar; Pequi (Caryocar brasiliensis), mesocarpo e amêndoa.

    A rica variedade de frutos do Cerrado nos proporciona ampla gama para escolha das fontes de sais minerais, fibras e vitaminas necessários ao organismo humano
    Prosseguimos em pesquisas e experimentos para identificação de espécies nativas que se prestem a verduras e hortaliças na cozinha. Por ora, usamos e podemos citar: a mangaba (Hancornia speciosa) verde, brotos de Japecanga (Smilax japecanga), brotos e frutos verdes de melancia de tatu (Melancium campestris), frutos do pequi…

  • Cagaita (Eugenia dysenterica)

    Cagaita (Eugenia dysenterica)

    A cagaiteira é uma árvore nativa do bioma cerrado, de porte médio a grande, entre 2 a 6 metros de altura. Copa densa com folhas longilíneas e lanceoladas.

    Da família das Myrtaceae, como as jabuticabas, araçás, goiabas, pitangas, etc, apresenta variedades que produzem frutos com pele aveludada e outra, frutos com pele lisa. Assim como o teor de sua acidez característica varia conforme a composição do solo.

    Além de ter um alto teor de vitaminas, especialmente vitamina C, flavonóides e diferentes antioxidantes, a fruta cagaita é rica em diversos sais minerais, tais como cálcio, fósforo e ferro – importantes, respectivamente, para a saúde dos ossos, músculos e sistema cardíaco.

    Muito usada para preparação de sucos, mousses, caipirinhas, doces, etc.

    Seu nome popular, cagaita, e o científico, dysenterica, remetem à sua fama de ter efeito laxante se ingerida em grande quantidade ou se estiver aquecida pelo calor do sol, embora o autor desse post nunca tenha passado por tal circunstância, embora conheça e faça uso da mesma desde a infância .

    A constituição física e anatômica da árvore faz dela excelente objeto de ornamentação, pois, além da beleza natural de seu tronco e de sua copa, as diferentes fases pelas quais passa, dependendo da estação, fazem com que se apresente ora verde oliva exuberante, ora marrom escuro, ou ainda totalmente branca em vista de sua florada, quando suas folhas caem quase totalmente.

    Uma variedade de espécie pouco conhecida e rara é a Cagaita vermelha, Eugenia geminiflora, cuja árvore é idêntica à de sua irmã dysenterica, mas seus frutos diferem no aspecto e no sabor, sendo estes adocicados e ligeiramente adstringentes, além de arredondados e vermelhos, resultando em bom vinho e excelente vinagre, enquanto os frutos da E. dysenterica são globosos, achatados nos polos e amarelos, quando maduros.

    Cagaita vermelha (Eugenia geminiflora)

    Essa variedade, Eugenia geminiflora, rara, é abundante no sítio sede do nosso Projeto. Estamos plantando mais mudas dela, bem como distribuindo sementes e mudas com o intuito de multiplicar seu germoplasma.

    Cagaita vermelha (Eugenia geminiflora)

    Vídeos em nosso canal:

    https://youtube.com/shorts/2NyWH9ldZRk?feature=share

    https://youtube.com/shorts/Fb98_KWzFsw?feature=share

  • Receita: espaguete ao molho de buriti

    O mesocarpo ou polpa do fruto da palmeira buriti (Mauritia flexuosa) é bastante utilizado na culinária de povos tradicionais em diversas regiões do país.

    Nesta receita, substituiremos o popular extrato de tomate pela pasta raspada dos cocos de buriti. O elemento doce a ser acrescentado tem por objetivo atenuar a acidez característica do fruto.

    É preferível passar a polpa de buriti pela peneira antes de acrescentá-la ao molho.

    A quantidade de gordura a ser utilizada deve levar em consideração a alta porcentagem de óleo já existente na massa do buriti.


    Ingredientes

    250 g de macarrão espaguete; 150 g de polpa de buriti; dentes de alho a gosto; óleo/gordura comestível; sal; 2 colheres de chá de açúcar, mel ou outro adoçante; cheiro verde; orégano (opcional)

    Modo de preparar 

    Em uma panela com cerca de um litro de água fervendo, cozinhe o macarrão. Escorra, lave e reserve.

    Frite o alho, acrescente a massa de buriti, o sal, o açúcar e um pouco de água. Deixe ferver um pouco.

    Retire do fogo a panela com o molho; acrescente o macarrão, o cheiro verde e misture tudo. Quem gostar de orégano, essa é a hora.

    Para os menos veganos, acrescente creme de leite ao preparar o molho. Atenção ao nível geral de gordura da receita.

    Pra nós que gostamos, um bom apetite e uma boa saúde!

    Inté mais ver.

  • Melancia de tatu

    (Melancium campestris)

    Nativa do bioma cerrado, a melancia de tatu gosta de lugares quentes, bem iluminados, solos bem drenados, nos cerrados e campos limpos.

    Foto: Waney Vasconcelos

    Características: Planta de crescimento esparramado, com folhas palminervadas, verde-fosco, meio aveludadas. Flores amarelo-creme e frutos redondos, muito saborosos, verde-fosco com manchas verde-escuro, similares às da melancia comum, com cerca de 15 centímetros de diâmetro. Frutifica nos meses de janeiro a março. Seus frutos novos, verdes, usam-se em saladas, crus, como pepinos.Vive dois anos.

    Se desenvolve em solos bem drenados, arenosos e relativamente pobres em nutrientes. Produz muitas sementes, que geralmente são de fácil germinação.

    Foto: Waney Vasconcelos
    Foto: Waney Vasconcelos

    As terminações das ramas (brotos) são tenras e saborosas, próprias para saladas.

    Foto: Waney Vasconcelos

    Quando seus frutos estão secos, apresentam forte rigidez na casca, à semelhança das cabaças, o que as torna próprias para artesanato.

    Foto: Waney Vasconcelos

    https://youtube.com/shorts/blykKYeH7WE?feature=share

  • Frutos da terra

    Periquito tá roendo
    O coco da guariroba
    Chuvinha de novembro
    Amadurece a gabiroba
    Passarinho voa em bando
    Por cima do pé de manga
    No cerrado é só sair
    E encher as mãos de pitanga
    Tem guapeva lá no mato
    No brejinho tem ingá
    No campo tem curriola,
    Murici e araçá
    Tem uns pés de marmelada
    Depois que passa a pinguela
    Subindo pro cerradinho
    Mangaba e mama-cadela
    Cajuzinho quem quiser
    É só ir buscar na serra
    E não tem nada mais doce
    Que o araçá dessa terra
    Manga, mangaba, jatobá, bacupari,
    Gravatá e articum
    Olha o tempo do pequi

    (Hamilton Carneiro e Genésio Tocantins)

  • Olá, mundo!

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